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DEUSES DO OLIMPO? NÃO, OBRIGADO!

Posted by mafaldinha2 on Dezembro 12, 2012
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O desporto, o desporto, o desporto. Não posso iniciar esta crónica sem antes confessar-me. O desporto consta na lista de coisas para as quais, felizmente ou infelizmente, não fui talhada. Nas aulas de Educação Física só ficava descansada quando jogávamos basquetebol ou voleibol: era sinal de que iria passar 90 minutos sem tocar na bola. Aborrecida não ficava porque distraía-me enquanto a dita cuja voava mesmo por cima da minha cabeça: era muito giro! Mas divertido, divertido, era perceber que conseguia inspirar sentimentos contraditórios no meu professor. Primeiro ria-se, depois olhava para mim com aquela expressão séria cujo significado conheço tão bem: “O que é que eu hei-de fazer contigo?”

Quando jogava futebol limitava-me a seguir a técnica do João Pinto, jogar com o pé que estava mais à mão. Mas posso garantir, por experiência própria, que a técnica não é lá grande coisa. A não ser, claro, que sejam masoquistas e queiram ter a turma inteira a correr atrás de vós. Bons tempos!

O futebol era a modalidade que me dava mais problemas. Não chegava ter de jogar no liceu como também em casa. São as consequências de ter um irmão mais novo que me obrigava a brincar com ele. O resultado estava à vista: boladas em cheio na cara, óculos tortos durante tempo indefinido e a mãe a gritar: “Achas que o dinheiro nasce das árvores?”

Quando chega a altura dos europeus e mundiais a minha vontade é ligar para a NASA e implorar que me levem para o espaço. Não é que eu tenha qualquer coisa contra o jogo em si, pelo contrário. Até consigo digerir bem o facto de ter de ouvir as “Waka Wakas” destes eventos, de manhã até à noite, até o meu cérebro derreter. O que eu não consigo entender é porque raio a comunicação social tenta passar a ideia de que não há mais nenhum motivo de orgulho nacional a não ser o futebol. Custa-me ouvir falar dos jogadores como Deuses do Olimpo a quem temos de prestar vassalagem. Porque é que o jornalismo não trata da mesma forma histérica os atletas que prestam provas nos Jogos Olímpicos? Por não terem os mesmos apoios financeiros? Porque é que não nos incentivaram a por bandeiras nacionais nas janelas quando, em 2010, a selecção nacional de atletismo de trissomia 21 conseguiu arrecadar 19 medalhas no mundial do México?

Porque é que a ciência não há-de, também, ser um motivo de orgulho? É uma área na qual temos mostrado grande competência, mas ninguém fala nisso. Porque é que os nossos realizadores de cinema não hão-de, também, ser motivo de orgulho? Não temos só o Manoel de Oliveira, há também o “magnífico” Miguel Gomes. Parece, no entanto, que estamos a falar de coisas secundárias, uma vez que os jogadores têm o direito de ficar nos melhores hotéis enquanto o cinema tem de se contentar com cortes e mais cortes porque, imaginem lá, não há dinheiro. Doce ironia! Parece, no entanto, que estamos a falar de coisas secundárias, uma vez que todo o português tem a obrigação de conhecer os abdominais do Cristiano Ronaldo enquanto o nome António Damásio lhe passa ao lado. Doce ironia! Mas isso até é compreensível: quando uma dona de casa olha para a barriga do Cristiano Ronaldo, pensa logo no jeito que aqueles abdominais davam para se lavar a roupa à mão.

Os intocáveis por quem torcemos também têm telhados de vidro. Há que relembrar que os Deuses do Olimpo têm as mesmas angústias e os mesmos defeitos que nós, comuns mortais, mas lá está, são Deuses. Os protagonistas desta peripécia não são jogadores portugueses, mas fazem parte de dois clubes bem conhecidos, o Barça e o Real Madrid. Os Deuses em questão são Xabi Alonso e Mascherano e, ao que parece, utilizaram empresas fantasma sediadas na zona franca da Madeira para fugirem aos impostos do país de “nuestros hermanos”. Claro que no momento do jogo nada disto importa, um Deus tudo pode, por isso é que não se ouviu falar mais deste caso.

Não é o futebol que ponho em causa. Não quero também generalizar a personalidade dos jogadores porque, certamente, não serão todos iguais. As multidões que se arrastam para ver um desafio têm toda a legitimidade para o fazer. Também não me incomoda a imagem típica do homem cuja camisola clubística fica a meio da barriga proeminente. São questões que não me importam. Irritam-me, sim, os governantes que aproveitam os intervalos dos jogos para comunicarem medidas de austeridade: pode ser que passem de mansinho. Irrita-me, sim, a histeria dos meios de comunicação que ficam completamente alheados do resto. Irrita-me, sim, a tentativa estúpida de elevar os jogadores, homens como nós, a heróis nacionais. Irrita-me, sim, que se diga, “já que não há mais motivo de orgulho”. Isso é estupidificar e atirar areia para os olhos. É omitir e enganar. É insultar outros heróis que dão o seu melhor naquilo que fazem. Agora, se me dão licença, vou erguer uma bandeira ao valter hugo mãe que venceu o prémio “Portugal Telecom 2012”. Ora digam lá se esta letra não é digna do orgulho de todos os portugueses?

Letra de valter hugo mãe

Senhor Viriato, um bilhete para o Tua se faz favor!

Posted by mafaldinha2 on Novembro 29, 2012
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Senhor Viriato na carrinha-táxi

É o senhor Viriato quem assegura o transporte da população da linha do Tua, já há quase quatro anos, com a sua carrinha-táxi. Numa tentativa de manter activa esta ferrovia, a CP pagava 200 mil euros anuais à empresa Metro de Mirandela para fazer a ligação até à estação do Tua, situada na freguesia do Castanheiro, concelho de Carrazeda de Ansiães. Mas 2008 pregou uma dura partida. Desde o mês de Agosto desse ano, altura em que ocorreu o último dos quatro acidentes relacionados com esta linha centenária, que o metro passou a circular só entre Mirandela e a localidade do Cachão. Para não por em causa a mobilidade das pessoas que utilizavam este meio de transporte, a empresa Metro de Mirandela, mais uma vez financiada pela CP com 125 mil euros anuais, encontrou no táxi o transporte alternativo de que necessitava. No dia 1 de Julho deste ano, porém, este sistema esteve suspenso durante dez dias devido a problemas de financiamento e, no passado mês de Setembro, esteve mais uma vez comprometido. Se em 2008 o senhor Viriato começou por fazer apenas a ligação entre o Cachão e o Tua, agora faz esse trajecto, diariamente, duas vezes por dia, a partir de Mirandela. A primeira saída é às 10 horas da manhã e a segunda às 18 horas da tarde.

Todos a bordo

Para saber se a população está bem servida com este transporte alternativo, decidi fazer o percurso até ao Tua no táxi do senhor Viriato. Quando, às 10 horas da manhã, cheguei ao local de partida, a paragem dos autocarros de Mirandela, já as passageiras estavam a entrar na carrinha. Maria Adelina Pinto, com destino a Vilarinho das Azenhas, concelho de Vila Flor, e Dinora, com destino a Codeçais, concelho de Carrazeda de Ansiães, seriam as minhas companheiras. Após esperarmos uns minutinhos, porque o senhor Viriato não sai sem antes comprar o jornal, seguimos então viagem. Mal sabia eu que iria passar toda a manhã a ouvir os comentários políticos do taxista: “a crise é nos cafés cheios que se vê”; “ a juventude portuguesa é uma vergonha porque nem contas sabe fazer”; “se querem trabalho porque é que não vão tratar das terras? Olha para aí tanta terra abandonada”; “os portugueses são uns preguiçosos que só querem empregos, não trabalho”; “Com um primeiro-ministro que acabou o curso aos trinta e tal anos não vamos a lado nenhum”; “O Marcelo Rebelo de Sousa? Não perco um único cometário dele! Que inteligência!”

A viagem até ao Tua estende-se pelos concelhos de Mirandela, Vila Flor e Carrazeda de Ansiães. Antes de chegar ao destino final o taxista teria que parar, por norma, nas seguintes localidades: Latadas, Frechas, Cachão, Vilarinho das Azenhas, Ribeirinha, Abreiro, Codeçais, Brunheda, Tralhão, São Lourenço, Santa Luzia, Castanheiro e Tralhariz. São treze as aldeias que o senhor Viriato tem a seu encargo, mas naquela sexta-feira só teríamos de parar em Vilarinho das Azenhas e em Codeçais. O taxista só tem a obrigação de parar numa destas terras caso seja o destino de algum dos seus passageiros. Se alguém quiser apanhar o táxi numa destas localidades, tem de telefonar primeiro.

Tal como já foi explicado, no sentido de Mirandela até ao Tua há o horário das 10 horas da manhã e o das 18 horas da tarde. No sentido inverso, do Tua até Mirandela, o horário estende-se entre o meio-dia e as 13 horas, e depois entre as 20 e as 21.15 horas. Neste mesmo sentido, as populações de Abreiro, Ribeirinha, Vilarinho e Cachão têm ainda a oportunidade de seguir para Mirandela às 7 horas da manhã.

 

O Medo de Dinora

É Dinora, a passageira com destino a Codeçais, que traz para a conversa o tema da barragem. Ainda bem porque é um assunto incontornável. É preciso relembrar que uma das contrapartidas para a barragem Foz-Tua ir em frente é, precisamente, o estabelecimento de um plano de mobilidade estável para a população. Mas Dinora vê muito proveito na construção da barragem, “tem muita utilidade por causa da luz”, avisa. Pergunto-lhe se não tem pena da linha do Tua, património mundial da Unesco. A passageira aproveita para confessar o seu receio. “Por um lado tenho pena, por outro não. Desde que o metro caiu fiquei com medo. Pusessem lá os comboios que pusessem, eu não andava mais na linha do Tua. Ninguém pode tirar os calhaus daquelas serras. Caiem e não avisam quando. É muito perigosa”.

O taxista é simpático, mas são precisos mais horários

 Dinora tem a necessidade de visitar Mirandela de 15 em 15 dias, já Maria Adelina, a passageira de Vilarinho das Azenhas, confessa que “houve uma altura que vinha semanalmente.” Apesar de no momento já não se deslocar com tanta regularidade, num futuro próximo terá de vir “bastantes vezes”. Quanto aos horários reivindica que devia haver, pelo menos, mais uma ligação para Vilarinho das Azenhas, pelo menos “às 13.30, ou assim. Quem vem de manhã, por exemplo, no táxi das 7 horas e não possa apanhar este, tem que ficar cá o dia inteiro para ir 18 horas. Como os estabelecimentos abrem às 9, não temos tempo para fazer grandes coisas.” Ao ouvir a opinião de Maria Adelina, o senhor Viriato intervém e desabafa que “ a ligação mesmo até à estação do Tua não devia ser feita. Quem é que vai até ao Tua? Só aqueles que não pagam, os guardas e os ferroviários. Se podem ir nos autocarros, quem é que vai no táxi para depois seguir para o Porto? [Através da linha do Douro, é possível apanhar o comboio no Tua para seguir para a Invicta]. Se o táxi circulasse apenas nas aldeias os horários podiam aumentar.” Acrescenta que, de facto, mais duas viagens diárias, só para as aldeias, era o ideal.

Para Maria Adelina mais duas viagens era importantíssimo porque estavam “habituados, com o comboio, a ir e a vir várias vezes ao dia.” A habitante de Vilarinho das Azenhas confessa que sentia a vida mais facilitada com o comboio, porque quando este foi substituído pelo metro, os horários eram já mais restritos.

Dinora confessa que não sente assim tantas saudades do metro nem do comboio porque a sua casa ainda era longe da estação. Com o táxi há sempre a vantagem de ficar à porta de casa, confessa, no entanto, que sente “a necessidade de mais um horário ou dois.” Quanto ao táxi das 18 horas, acha que é tarde, porque não gosta de “andar de noite.”

Maria Adelina salienta outro aspecto que torna agradável a viagem de táxi: “podemos sempre falar com o senhor Viriato, que é muito simpático e conversador [facto comprovado]. No comboio ou no metro não se pode falar com maquinista.”

Parámos em Vilarinho das Azenhas para deixar Maria Adelina e a barragem é mais uma vez abordada. O senhor Viriato avança que se “água chegasse a Vilarinho fazia-se a travessia por barco e a paisagem ficava mais bonita. Pelo menos é assim que está no projecto, agora se isso vai para a frente é outra história. Nada vai para a frente neste país.”

Análise sociológica feita pelo senhor Viriato: “somos todos uns mandriões”

Após Vilarinho das Azenhas seguimos rumo a Codeçais para deixarmos Dinora. Queria, agora, apreciar um pouco da paisagem e saborear o sossego que os montes transmitem, mas de repente lembro-me de perguntar pelas estações. O senhor Viriato diz que estão completamente vandalizadas e subaproveitadas. “Podiam servir para casas de abrigo”, confessa, “mas já não se faz nada dali.” A conversa lá acabou por mudar de rumo. O taxista aproveitou o resto do caminho para me dar a conhecer a sua análise sociológica sobre os portugueses, “uns mandriões”, e sobre a juventude portuguesa, “mandriões que só sabem gastar o dinheiro dos pais”. “Olha para essas vinhas e para esses olivais”, repreende-me. “Tudo mal tratado e ainda dizem que não há trabalho. Havia de ser no meu tempo!” Tento explicar-lhe que eu, por exemplo, sei bem o que é uma vindima ou uma apanha da azeitona. Ele olha para mim durante uns segundos e algo me diz que não ficou convencido.

Destino Final: onde o Tua diz olá ao Douro

No Tua. Chegada do comboio vindo do Porto

Chegámos ao destino final, o Tua, por volta do meio-dia e aproveitámos para tomar qualquer coisa no “Calça-Curta”, um café da localidade. É precisamente naquele sítio que o rio Tua desagua no rio Douro. Ainda tive tempo para vislumbrar aquelas águas por uma última vez. Foi como se regressasse ao princípio de qualquer coisa.

Vimos um comboio chegar, que saudades desta visão. Vinha do Porto, concelho de Vila e iria prosseguir rumo ao Pocinho, Vila nova de Foz Côa. Esta ligação da linha do Douro ainda se mantém activa, o que permite à população deslocações para a cidade Invicta.

 O senhor Viriato pensava que não iria levar mais ninguém no regresso a Mirandela, mas enganou-se. Mais dois passageiros entraram na carrinha: Maria de Fátima dos Santos, com destino a Codeçais, e António Carlos Garretti, com destino a Mirandela.

Regresso a casa: “o táxi é uma forma de iludir as pessoas”

Maria de Fátima dos Santos é o exemplo de alguém que utiliza o comboio para ir para a Invicta. Depende, portanto, da ligação do táxi até ao Tua, para prosseguir viagem até ao destino final. “Infelizmente entrei numa época em que preciso de fazer muitas viagens. Tenho de me deslocar até ao Porto de três em três semanas, até Fevereiro, porque estou em fase de tratamentos”, explica Maria de Fátima. O sistema de horários do táxi não a favorece porque a impede de chegar a Codeçais no mesmo dia. Tem de pernoitar no Porto na noite anterior e no próprio dia do tratamento. Relembra a altura do comboio, em que estava mais bem servida “de Codeçais, da estação da aldeia, para o Porto.” Com os horários da altura já não havia a necessidade de pernoitar.

Quis saber se Maria de Fátima notava alguma quebra nas deslocações da sua aldeia por causa do táxi. Esta passageira constata que se “deslocam o menos possível. Só quando há doenças ou tem mesmo de ser.”

António Carlos é de Mirandela mas viaja algumas vezes no táxi para visitar os seus pais. Diz-se contra o encerramento da linha “porque tem uma paisagem, que noutros países seria considerada única.” Recorda o tempo dos comboios “que no Verão andavam totalmente cheios”, e exemplifica a utilidade turística que a linha poderia ter. “Antigamente vinham muitas pessoas do Porto, hoje já não vêm. Se é para vir de táxi, vêm antes na própria viatura porque já não há o factor da atractividade, de ver algo diferente.”

Adeus senhor Viriato!

Perguntei-lhe se as populações das aldeias visadas estavam bem servidas com este sistema. António Carlos responde da seguinte forma: “com este sistema estarão bem servidas, o problema é que não durará para sempre. Isto é uma forma de iludir as pessoas. Neste momento, até poderão estar melhor do que com o comboio, porque param mesmo em casa, mas é um bem de pouca dura. Acomodam-se com este meio, mas amanhã não terão nenhuma alternativa.”

Chegámos finalmente a Mirandela e senti-me satisfeita com a viagem. Há muito tempo que não visitava o Tua. O taxista é conversador e sabe como entreter as pessoas. É agradável parar mesmo à porta do lar e não ter de fazer o percurso da estação até casa. Mas volto a relembrar que este sistema já esteve suspenso e foi posto em causa em Setembro deste ano. A intervenção de António Carlos faz sentido: o que acontecerá depois? Não haverá justiça se estas pessoas ficarem esquecidas. Para já fica a seguinte ideia: de uma forma geral todos, inclusive o taxista, concordaram com uma reformulação dos horários. Apesar do medo sentido por Dinora, senti que havia alguma nostalgia em relação ao comboio, não ao metro, porque auferia um outro tipo de liberdade e autonomia. O que vai acontecer? É esperar para ver. Entretanto, adeus senhor Viriato!

Reportagem em formato áudio

Entrevista ao presidente da aautad. Uma Associação Académica pode marcar a diferença?

Posted by mafaldinha2 on Outubro 22, 2012
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Os tempos estão a mudar. Há a ideia generalizada de que já ninguém acredita em que ocupa um cargo de responsabilidade, em quem pode marcar a diferença para o bem de uma determinada comunidade. Por se falar em comunidade! Qual o papel das Associações Académicas que têm por missão olhar para o bem das comunidades estudantis? Será que os mais jovens ainda se envolvem e estão conscientes do poder que têm? Será que ainda sentem receio em ocupar cargos de responsabilidade? Sérgio Martinho, o presidente da Associação Académica da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (aautad), revela que “em certa parte” nota que há uma maior consciencialização por parte das novas gerações mas, “em alguns momentos”, poe essa confiança em causa. Quanto ao envolvimento dos estudantes avança que “neste momento, não existe tanta disponibilidade da parte das pessoas como até aqui. E por vezes, quem tem esse objectivo não tem sequer noção da responsabilidade que é.” Mas remata dizendo que “existem sempre pessoas capazes e, com a ajuda dos elementos com mais experiência, conseguem facilmente entrar no ritmo.”

Os últimos anos têm sido particularmente difíceis para os estudantes universitários. Os casos de abandono têm aumentado e torna-se cada vez mais difícil pagar a totalidade das propinas. Sérgio Martinho responde que a maioria dos estudantes da UTAD procuram a sua associação académica para resolver, essencialmente, questões relacionadas com os Serviços Académicos, mas avisa que há “alguns casos de dificuldades económicas e de adaptação à academia que, juntamente com os serviços de acção social, são encaminhados e acompanhados.”

Mas uma boa Associação Académica pode realmente marcar a diferença? Sérgio Martinho acredita que sim, “trabalhando em todos os campos desde a cultura ao desporto, passando pela acção social e apoio aos Núcleos de estudantes.”

 O que motiva Sérgio Martinho a presidir a aautad? Descubram na entrevista que se segue.

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The Partisan Seed: “entro num novo espaço de composição a partir daqui.”

Posted by mafaldinha2 on Junho 25, 2012
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The Partisan Seed encerrou o seu primeiro ciclo com “SpiritWalking”. Filipe Miranda ainda não sabe ao certo o que é que findou, mas tem a certeza que entrou “num novo espaço de composição musical a partir daqui.” Com este disco, instrumentalmente mais simples, o músico confessa que “ a guitarra emancipou-se um pouco mais e ganhou o seu lugar, finalmente”, facto que minorou a utilização de outros recursos e efeitos. Esta decisão resultou num “SpiritWalking” com uma sonoridade ainda mais límpida, mais despida e mais intrusiva. Porquê esta decisão? Enquanto compunha as letras, Filipe Miranda sentiu que algo o impelia a interpretar os sinais que a vida lhe dava. De uma forma quase profética as coisas foram-se conjugando.

Foi desta forma, simples e reveladora, que The Partisan Seed se apresentou em Vila Real, no sábado passado, no salão do Johnnie Red Blues & Jazz Bar. A actuação estava inserida no festival “Se Esta Rua Fosse Minha”, organizada pela recente promotora vila-realense, “Covilhete na Mão”. Uma voz suave acompanhada maioritariamente por uma viola amplificada, isso bastou para não defraudar o público.

Fica ainda uma novidade: “SpiritWalking” vai ser distribuído pela Mass Market Recordings. Algo que trará, certamente, a Filipe Miranda, “algumas viagens e alguns concertos” fora do país.  Fiquem agora com a entrevista que consegui entretanto.

Depois de SpiritWalking podemos esperar um novo ciclo para The Partisan Seed? O que é que este disco vai encerrar ao certo?

O que encerra ao certo, ainda não sei dizer. O que sei é que, sem dúvida, entro num novo espaço de composição a partir daqui. Poderá até não ser perceptível a nível estético ou formal, mas como o que eu componho acontece em paralelo com o que eu vivo, sei que um ciclo terminou e que um outro começa aqui.

 

Em relação à capa do SpiritWalking, o eclipse acarreta algum significado? O negro remete-nos para um lado soturno, mas não podemos ignorar a luz que mesmo estando escondida, está à espreita.

Passa muito por aí a escolha desta capa. Na altura de miúdo em que gravava cassetes, fazia capas com recortes de revistas. Algumas delas eram eclipses, sempre foi uma imagem irresistível para mim, tem muito de enigmático e faz-nos dar conta do nosso lugar no universo e de como tudo se move entre a escuridão e a luz.

 

A nível de composição é de notar a coerência que une os três primeiros álbuns do projecto The Partisan Seed, mas talvez SpiritWalking seja aquele com a sonoridade mais límpida, mais despida e mais intrusiva (a nível intimo). Esta afirmação faz para si sentido? Qual a razão?

Sim, faz todo o sentido. Foi um disco bem mais solitário, as letras foram compostas num período em que senti que algo falava comigo, a forçar-me a interpretar outro tipo de sinais que a vida me dava e que eu nunca ou raramente soube interpretar. Olhando para trás sinto que, de uma forma algo profética, tudo acabará por ter sentido no fim.

É ainda mais instrumentalmente despido que os anteriores, a guitarra ganhou mais protagonismo e fez com que a utilização de muitos recursos fosse redundante. Nos discos anteriores, as bases de guitarra serviram mais como um tapete onde a voz,as melodias e as letras se deitavam. Neste disco, a guitarra emancipou-se um pouco mais e ganhou o seu lugar, finalmente. Como me disse um amigo há uns tempos, depois de ouvir o álbum, talvez este seja o meu “Pink Moon”.

“Eu agora mergulho e ascendo como um copo, trago para cima essa imagem de água interna”. Citou esta frase de Herberto Hélder numa entrevista ao Bodyspace. Considerando que é isto que quer para The Partisan Seed gostaria de lhe perguntar o seguinte: o ascender dessa intimidade, a intensidade com que a emprega, sempre foi para si fácil? A queda das máscaras que por vezes utilizamos e o assumir da “fragilidade humana” pode ser um processo bastante difícil.

Pode ser um processo difícil, mas para mim é extremamente necessário. É uma auto-análise constante, quase como ser o psicólogo de mim mesmo. Estes sentimentos aqui expostos são os meus, mas não são exclusividade minha, são comuns a todos nós. Ao utilizar a arte como veículo para expor a minha intimidade, ela torna-se numa coisa viva, deixa de me pertencer e vai ligar-se à intimidade de uma outra pessoa, encontra uma sua semelhante. Dessa forma sinto-me mais livre, nesse acto contínuo de sublimar e de me libertar de pesos emocionais que me afundem.

Pode explicar o significado do nome “SySco”?

A letra relata o que se passa após o fecho da cortina do palco e tudo o que corre dentro da alma do actor ou palhaço, aquele vazio que persiste. Nunca teve título; acabei por lhe dar o nome de “SySco”, porque foi a minha forma de homenagear dois artistas que admiro muito. “Sy” de Syd Barrett e “Sco” de Scott Walker. É fácil fazer uma analogia entre a personagem que está na canção e estes dois compositores.

O seu último álbum irá ser distribuído pela  Mass Market Recordings. O que espera levar desta parceria? No mural do seu facebook escreveu que “ é um grande prazer estar numa editora que tem artistas com o calibre do Howe Gelb.”

Espero que traga boas coisas, que seja produtivo e agradável, até porque demorei dois anos até decidir avançar mediante a proposta que me fizeram. O disco vai ser reeditado e passará a ter uma distribuição muito mais alargada, algo que os anteriores não tiveram. Além dessa nova edição internacional, passo também a ter uma representação fora do país ao nível do agenciamento, o que espero que venha a viabilizar algumas viagens e alguns concertos.

Os temas “Brigitte, pour moi… “, de SpiritWalking, e “La ultima piedra de una novena”, não são cantados mas falados. Isso pode remeter-nos para a poesia e literatura. Estas áreas também são importantes para si? Também influenciam as suas composições musicais?

Sim, muito importantes. As minhas letras surgem sempre a partir de uma imagem poética que vai acontecendo. É precisamente por existir essa imagem que elas quase que se fazem por si. “La ultima piedra de una novena”,por exemplo, seria improvável de ter nascido se eu não tivesse conhecido a obra do Julio Cortázar, do García Lorca ou do Shane McGowan.

Uma vez que o seu pai e o seu irmão também tocavam guitarra, que tipo de música ouvia em casa? A que sonoridades foi habituado?

Habituei-me a ouvir um pouco de tudo com os meus pais… essencialmente o que me recordo e retenho mais na memória foi ouvir José Afonso, Amália, Carlos Paredes, Edith Piaf e música brasileira MPB… com o meu irmão, chegou-me Bob Dylan, Pink Floyd, Bauhaus, Cure, P.I.L., The Pogues ou Joy Division…

De resto, combino várias sonoridades no meu dia-a-dia. Fui buscar para mim a atitude crooner do Dean Martin ou do Sinatra, as matrizes do Cohen ou do Paolo Conte (que me ajudaram a crescer como escritor de canções) e misturo isso, desde que me lembro, com a tendência natural que sempre tive para a liberdade que se encontra no Charlie Mingus e no experimentalismo, na música oriental ou nos sons mais místicos ou tribais. Por isso é que não resisto a cítaras, mantras, darboukas, berimbaus ou aos coros e as palmas que se ouvem em muita da música árabe e africana. Quem entrar na minha casa, o mais certo é ter de presente uma banda-sonora a correr nas colunas que vai incluir discos de artistas como Peter Tosh, Jorge Ben ou os Tinariwen. São vícios permanentes, como o café.

A música sempre esteve presente, de alguma forma, no seu dia-a-dia, no entanto, não esconde o seu gosto por outras artes. De que forma estas se interligam e influenciam o que apresenta?

Todas as formas de arte às quais me dedico – especialmente a música e as artes plásticas -, compõem aquilo que me faz ser eu. Interligam-se e influenciam-se, atropelam-se, misturam-se… sou um criador compulsivo, apressado, mais sentimental que pensante e gosto de deixar tudo fluir, revelar-se. Depois, o que faço é meramente veicular tudo isso em vários canais, de forma a melhor conseguir comunicar. Por isso é que crio nomes diferentes para o meu trabalho individual e a razão pela qual faço parcerias com outras pessoas. Esses são os canais, cada um deles comunica à sua maneira, com a sua roupagem própria.

A música portuguesa, a pouco e pouco, está a descentralizar-se dos grandes centros urbanos. A seu ver o que é preciso ser ainda feito para essa descentralização ser mais incisiva e perceptível a nível nacional? Os grandes centros estão mais atentos ao que se faz no resto do país?

A música portuguesa nunca foi centralizada, o mercado – ou indústria da música – é que vive nesse meio centralizado, onde há mais gente, mais espaços de exposição. Mais facilmente se chega ao resto do país se se viver no Porto ou em Lisboa, é lá que estão as televisões, as rádios nacionais, são eles que apresentam ao país os artistas do país, digamos assim. O que não quer dizer que nos restantes locais não exista muita boa música. Sempre houve, só não chega é à maioria das pessoas, do público. Nesses meios, sei que muita gente sempre teve a noção clara do que se faz no resto do país. E quem não tem, devia ter. Ou não… se calhar até é melhor assim…

Quando a música entra sem pedir

Posted by mafaldinha2 on Junho 7, 2012
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Carlos Valério e José Paulo Torres Vaz, numa primeira impressão, são dois homens com muito pouco em comum. O primeiro, sempre com a sua boina na cabeça, parece simbolizar a humildade e a modéstia. O segundo, já tem o ar próprio de quem navega no mundo das ideias. O que é que os une? É muito simples, o gosto pela música.

 Os dois carregam consigo uma arte já rara de encontrar nos dias de hoje: são muitas as pessoas que sabem tocar um instrumento, mas poucas as que são capazes de os construir. Ambos partilham uma outra coisa: constam na exposição sobre construtores de instrumentos, patente no Museu do Som e da Imagem, no Teatro de Vila Real. Eram os únicos vila-realenses na exposição, por isso fui falar com eles.

Carlos Valério

A primeira coisa que Carlos Valério, já com 69 anos, me disse quando me dirigi a sua casa, foi a seguinte: “sim, construía instrumentos, mas agora já não. Olhe, não sei o que lhe diga.” Que tal a sua história?

Sempre tocou “música de ouvido”, confessou-me. “Sabia algumas claves, isso era fácil de saber, mas nunca toquei uma música através de uma pauta”, avançou. O instrumento que mais lhe aprazia tocar era a viola. Fez questão de frisar bem a palavra viola porque, para Carlos Valério, guitarra só há uma, a portuguesa e mais nenhuma.

 Foi depois da tropa, quando começou a levar a música mais a sério, que começou a construir os seus instrumentos e a ensinar cavaquinho às crianças do grupo cultural “Os Vicentinos”. O gosto pela música sempre esteve presente na sua vida, mas nunca “passou de um passatempo” porque profissionalmente trabalhou como funcionário público. Carlos Valério trata-se, portanto, de um amador que sempre foi “hábil com as mãos”: facto que lhe permitiu construir o seu primeiro instrumento, um cavaquinho, utilizando outro modelo apenas para a escala. “Via os outros a fazer e aprendia com facilidade, na televisão”, foi assim que este construtor iniciou a sua actividade. Ainda vai compondo alguns instrumentos danificados mas a idade já não o permite construir. Ao todo produziu 20 cavaquinhos, uma guitarra portuguesa, 10 bandolins, três bandolas e uma viola: eram estes os instrumentos da sua arte. Os cavaquinhos “foram os mais fáceis de fazer”, o mais complicado para Carlos Valério foi a guitarra portuguesa: “demorou algum tempo, foi um trabalho laborioso.”

Bandolim, da autoria de Carlos Valério, exposto no Museu do Som e da Imagem

Quanto às violas que se vendem nos supermercados o músico e construtor tem uma opinião bem clara: “são instrumentos de indústria, o que interessa é ganhar dinheiro.” Acrescenta “que são feitas com madeiras de fraca qualidade que acabam por interferir com a acústica”. Quais são as melhores madeiras, então? Para Carlos Valério não há nada melhor do que pinho de flandres, pinho de riga, mogno, nogueira, cerdeira e ébano.

 Já foi dito que a sua relação com a música nasceu de uma forma intuitiva e não houve ninguém da sua família que lhe apurasse o ouvido. Adorava cantar o fado e em jeito de graça confessou que “já cantava na barriga da sua mãe”. Não deixou, no entanto, de recordar o já falecido guitarrista vila-realense Eduardo Santos, com quem aprendeu a tocar viola, o instrumento da sua eleição. “Quando ele me ensinava um tom, na aula seguinte eu já tinha descoberto, pelo menos, mais quatro diferentes.” É esta a sua recordação daquele tempo, e foi com tristeza e nostalgia que desabafou: “o Eduardo Santos era, de facto, um grande guitarrista.” “Foi uma pena ele ter nascido nesta zona”, continuou, “caso contrário seria recordado.”

 Se estava na casa de um construtor de instrumentos seria de esperar que houvesse por ali algum a uso, para eu poder ouvi-lo tocar. Estava enganada. O único instrumento que Carlos Valério tinha em seu poder era um velho cavaquinho. As cordas estavam soltas, por afinar, mas à primeira vista não parecia nada que não se pudesse resolver. Esta enganada: reparo que uma das cordas estava quebrada. A sorte não estava do meu lado.

 Se a sorte não estava do meu lado com Carlos Valério o mesmo já não aconteceu com José Paulo Vaz. O músico, professor e compositor tinha uma viola consigo e dispôs-se a dar-lhe uso.

Escritório de José Paulo Vaz

Se a casa de Carlos Valério era pautada pela simplicidade, a casa de José Paulo Vaz era pautada por livros, livros e mais livros. De salientar que não se está a falar, somente, de livros da especialidade, mas sim de literatura pura. Ao contrário de Carlos Valério, José Paulo Vaz já é reconhecido ao nível da composição musical e lecciona na Universidade de Aveiro. O professor provém de uma família onde o gosto pela música sempre existiu: aliás, “já vai na quinta geração de amadores de música”, recordou. Sobre a tradição da sua família existe já um trabalho “muito criterioso de pesquisa” levado a cabo por Vítor Nogueira, o director do Teatro de Vila Real. O meio envolvente era propício a uma óptima educação musical, mas tal não o impediu de descobrir sozinho o que a acontece quando se pressionam as cordas si, sol e ré de uma viola – o lá maior. “Comecei com o acorde perfeito, vamos lá ver como acabo”, brincou.

Guitarra Gonzalez (romântica) e Guitarra Winterreise expostas no Museu do Som e da Imagem

Começou a construir instrumentos em “Coimbra em 1973-74”. “Eu era amigo dos operários da escola Eduardo Costa e foram eles que me ensinaram os primeiros rudimentos de construção de instrumentos”, lembrou. Tal como Carlos Valério, as cordas são a sua especialidade. Entre os instrumentos que construiu constam a Guitarra Gonzalez (romântica) e a Guitarra Winterreise, actualmente expostas no Museu do Som e da Imagem.

 “Um redobrado desejo de construir com vista à obtenção de certas sonoridades”, é este o desejo que move o professor, músico e compositor. O facto de saber fazer as guitarras com que toca poder-lhe-ia ajudar a ter uma outra percepção da música, mas na sua óptica, isso não influi em nada: “Não é por se saber como funciona a caneta que se fica poeta por isso”, rematou.

 Do ponto de vista técnico e sonoro como deve ser uma guitarra? Em primeiro lugar “deve ser bem manuseável pelas mãos do instrumentista”, quanto ao som “deve ser audível e capaz de se expandir para uma sala inteira.” Não deixou de salientar que “a sonoridade deve possuir uma característica especial que encante cada um.” O grande quebra- cabeças para quem constrói, segundo o que confessou, prende-se essencialmente com a sustentabilidade do som: “conseguir um instrumento capaz de suster o som o máximo tempo possível”, é essa a grande luta do construtor de instrumentos.

 Construir um instrumento é um processo laborioso, mas para José Paulo Vaz “ o labor não é uma pena, é um privilégio”. Diz o povo que quem corre por gosto não cansa e este ditado aplica-se tanto a Carlos Valério como ao professor da Universidade de Aveiro.

Voltei a fazer a pergunta sobre as violas que se vendem nos supermercados. Para José Paulo Vaz “não têm o sabor da exclusividade, mas algumas até têm um bom som para se começar.” Rematou desta forma: “como é que se podia imaginar tanta gente a tocar com guitarras exclusivas feitas para o menino? Para quê?”

 Este é o retrato de dois homens. O primeiro é detentor de um conhecimento mais amador, o outro teve a oportunidade de estudar mais e aprofundar. O que verdadeiramente há em comum? Quando a música entrou, não pediu licença.

Filandorra: a descentralizar desde 1987

Posted by mafaldinha2 on Junho 6, 2012
Posted in: Jornalismo Especializado. Deixe um comentário

Na sala de aula de uma escola, enquanto o professor não chega, reina a anarquia total. Esta anarquia é pautada, claro está, pelos tradicionais aviõezinhos de papel que esvoaçam de uma ponta à outra. O professor chega, mas hoje o dia, mais do que a mera aula, irá ser diferente para estes alunos. “Atenção, por favor”, pede o docente, “arrumem as vossas coisas porque hoje vamos ao teatro!” Por uma certa razão, imaginem qual, esta notícia é recebida com desafogo.

 Quem é transmontano tem esta experiência impregnada na memória graças à Filandorra, uma companhia que tem desempenhado um papel primordial no que toca à descentralização do teatro – a arte que dá vida e expressão às estórias. Peças como o “Auto da Barca do Inferno”, de Gil Vicente, o “Macaco de Rabo Cortado”, de António Torrado, ou ainda “Falar a Verdade a Mentir”, de Almeida Garrett, andam sempre na malinha da Filandorra para “incutir nos jovens a estética e a vivência do espectáculo teatral.” Quem o diz é David Carvalho, o encenador e director artístico da companhia.

David Carvalho no seu gabinete

 Para conhecer melhor quem em Trás-os-Montes interpreta estórias há 25 anos, dirigi-me à sede dos Bombeiros-Cruz Branca de Vila Real. Assim que entrei no pequeno gabinete do director, este perguntou-me se a estrutura do espaço não me era familiar. A sala estava devidamente isolada e reparei numa grande janela rectangular na parede lateral: sim, encontrava-me nas instalações da primeira estação de rádio da cidade. O exíguo espaço não me pareceu fazer jus à mais antiga companhia de teatro transmontana, mas pude perceber logo o porquê: segundo David, “já há mais de duas décadas que o espaço é provisório”. O director aproveita para rematar: “É anacrónico, no século XXI, ainda estarmos aqui.”

Sede da Filandorra nos Bombeiros Cruz Branca de Vila Real

 Se fizermos uma consulta rápida à imprensa vila-realense percebemos que a luta por uma residência adequada não é só de agora. Numa notícia publicada no “Diário de Trás-os-Montes”, em 2004, David Carvalho declarou que a autarquia não cumpriu a “velha promessa” que visava um espaço fixo no Teatro de Vila Real. Vítor Nogueira, director do teatro, avançou que não tinha conhecimento dessa  negociação e referiu: “enquanto me mantiver à frente deste equipamento, não haverá nenhuma companhia residente”. Tal facto, todavia, não o impediu de afirmar que a Filandorra seria “tratada de forma privilegiada em relação às outras companhias teatrais”. Relembro que esta notícia saiu no ano de 2004 e estamos já em 2012. Quais as mudanças? Não só a Filandorra continua num “espaço provisório”  como, segundo David Carvalho, “não há este ano um único espectáculo da companhia no Teatro de Vila Real”. O início de 2012 trouxe, no entanto, uma boa nova para a Filandorra. Segundo um artigo do jornal “A Voz de Trás-os-Montes“, publicado no mês de Janeiro, “a vereadora da Câmara Municipal de Vila Real, Dolores Monteiro, deixou a garantia de que a autarquia irá ceder uma das escolas do centro da cidade (que serão encerradas) à companhia de teatro vila-realense.” Veremos, em Dezembro, qual será o desfecho final.

Tive, entretanto, a oportunidade de escutar Vítor Nogueira. Quanto à suposta sede no Teatro de Vila Real, o director frizou o seguinte: “deixei sempre claro que na estratégia cultural traçada para o teatro não caberia nunca o acolhimento de uma companhia residente no edifício.” Avançou que “não compete ao director, tendo em conta desde logo as funções que lhe estão atribuídas, atribuir uma sede à Filandorra, ou a qualquer das outras companhias profissionais de teatro da cidade, designadamente a Urze e a Peripécia.” Aproveitou para completar que lhe compete, antes, “colaborar o mais possível com todas elas e com todos os agentes culturais na procura daquilo a que se chama serviço público.”

Quanto ao facto de se afirmar que este ano não há nehuma peça da Filandorra no teatro, Vítor Nogueira relembrou que “a programação para 2012 ainda está em aberto para o segundo semestre, e portanto dizer-se que não há ali este ano um único espectáculo da Filandorra  é prematuro.”

Durante o decorrer dos anos houve, no entanto, uma pequena vitória para a companhia: a criação de uma ludo-teatroteca, a “Filandorrinha”, instalada no Teatro de Vila Real.  O projecto, derivado de um concurso público aberto pelo próprio teatro, visava promover vários ateliês direccionados para as crianças, para lhes incutir o gosto pelos jogos dramáticos e teatrais. O director e encenador da companhia relembrou que a  teatroteca “foi a primeira do país a crescer”, não obstante, avançou que não a “deixaram expandir-se e desenvolver-se”, acabando por ter de sair do espaço que lhe fora destinado. Sobre esta questão, Vítor Nogueira explicou que tal se deveu ao ” incumprimento do contrato estabelecido, por parte da Filandorra.” Este projecto acabou por sucumbir, é certo, mas a “Filandorrinha” continua a ensinar a estética do teatro às crianças através de ateliês desenvolvidos em bibliotecas municipais.

 A Filandorra não é só Vila Real, passa também pelo nordeste transmontano e alcança as franjas do Minho e das Beiras. Apesar da supra-referida crise que o país atravessa e da difícil situação financeira das câmaras municipais, a companhia conta com o apoio de uma rede de 20 autarquias que, segundo David Carvalho, “nunca deixou a Filandorra ficar mal”. “Temos uma rede grande e o mercado é polarizado”, continuou David, o que ajuda a suportar o corte de 38%, que é transversal a todas as companhias de teatro. Para além das representações para o público escolar, o director revelou que também é extremamente importante “o trabalho de formação e o trabalho cénico desempenhado junto das comunidades”. As encenações teatrais do II Festival de Ouro Romano, em Vila Nova Pouca de Aguiar, são um bom exemplo do trabalho que a companhia desenvolve junto das populações, mas não é só. A comemoração dos 500 anos do foral atribuído, em 1512, a Vilas Boas, freguesia do concelho de Vila Flor, também esteve ao encargo da Filandorra. Estas actividades representam apenas outras formas da companhia chegar às pessoas.

 “Nós não desenvolvemos só trabalho de literatura”, advertiu David Carvalho, a companhia de teatro também oferece formação. É em Alfândega da Fé, concelho do distrito de Bragança, que a Filandorra mantém uma escola de teatro em parceria com o município. Este projecto é primordial porque está a educar as novas gerações para o teatro, mas mais importante do que isso, está a levar esta arte a sítios que não tinham acesso a ela. Esta questão leva-nos a outro ponto. Não é segredo nenhum que a produção teatral está centralizada em dois grandes polos – Lisboa e Porto. É justamente a “produção” que este projecto visa incentivar ao dar as ferramentas certas para que outras companhias possam prosseguir, tal como o Grupo de Teatro de Alfândega da Fé.

“Cal” de José Luís Peixoto

A Filandorra também “é serviço público”, assim me disse o director. Não pensa somente nos mais novos mas também nos “idosos que não têm dinheiro para se deslocar.” Foi justamente em Alfândega da Fé, lugar em que a companhia esteve em residência artística durante os dois últimos meses de 2011, que a trupe de David Carvalho deu vida e expressão às personagens da peça “À Manhã”, do escritor José Luís Peixoto. A peça está enquadrada em “Cal”, um livro de ficção, poesia e prosa dedicado à terceira idade. A verdadeira inspiração do livro centra-se não em Trás-os-Montes mas no Alentejo, donde o escritor é natural. Mas a interioridade humana não conhece pátria e os problemas afectos à terceira idade são partilhados por todos os nossos velhos de norte a sul do país: foi o que a Filandorra provou com esta produção.

 Esta aproximação aos escritores contemporâneos deve-se, segundo David Carvalho, à tentativa de se estabelecer uma ponte “com a dramaturgia contemporânea”. Não são só dramaturgos como Gil Vicente ou Almeida Garrett que contam no cardápio da Filandorra: os transmontanos A.M. Pires Cabral e Alexandre Parafita também estão presentes. Por falar em A.M.Pires, o director e encenador da Filandorra confidenciou que gostaria de lhe “fazer uma homenagem no futuro”. Miguel Torga, claro, não poderia ser esquecido, e no ano em que se celebrou o centenário do nascimento do escritor, em 2007, a Filandorra estreou a peça “Terra Firme”: esta produção acabou por percorre 11 concelhos da região do Douro.

 Mas voltemos à peça “À Manhã”, de José Luís Peixoto. O ano de 2012 foi catalogado como o “Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações”. A Filandorra decidiu aglutinar este acontecimento com a comemoração do dia mundial do teatro, que ocorreu no dia 27 do último mês de Março: para tal, a companhia decidiu interpretar uma vez mais a peça “Á Manhã”, nos claustros do Ex Governo Civil de Vila Real. Num trabalho articulado com os Serviços de Acção Social da Câmara Municipal da cidade e com as IPSS do concelho, os “velhinhos” puderam ir à sessão da tarde sem terem de pagar bilhete. Simultaneamente a companhia lançou um desafio aos mais jovens e pediu-lhes para levarem um “velhinho” ao teatro: para muitos daqueles idosos aquela foi a primeira vez que assistiram a uma peça teatral.

 Entrei nos Claustros do Ex-Governo Civil de Vila Real quando ainda faltava meia hora para a peça começar – o início estava previsto para as 15 horas da tarde. Nessa altura já o local se encontrava repleto de idosos, sentados nas suas cadeiras, à espera de ouvir as habituais pancadas de Molière que precedem um espectáculo teatral.

Claustros do Ex Governo Civil de Vila Real

Silvina Lopes, a relações públicas da companhia, não parava de dizer: “Eles vieram cedo, eles vieram muito cedo!” O palco estava ainda em construção e os idosos esperavam com um ar divertido: o ar que todos ostentamos quando algo de diferente surge no nosso dia-a-dia. Eu aproveitava a espera para perguntar se já tinham ido ao teatro antes. “Não” era a resposta comum até que António Carvalho respondeu: “Eu já fui uma vez, mas isso foi no tempo em que estava na Inglaterra. Isto até é uma coisa gira.”

A hora do início aproximava-se e as pessoas iam ocupando o seu respectivo lugar: uns acelerando o passo, outros retardando-o devido à bengala. Passo a passo, segundo a segundo, a sala ia ficando repleta. Os actores, mais velhos devido à caracterização, invadiram finalmente o palco para contar a estória da “Ti Irininha”, da “Ti Macha”, da “Ti Olga”, do “Ti Estragão” e do “Ti Vlademiro”. À medida que a peça decorria ouviam-se risos, viam-se caras de espanto, e os anciãos não se privavam de interagir com os actores. A audiência ia aderindo à peça ou não fosse esta feita à sua medida. Estamos a falar de um enredo pautado por amores, desamores, encontros, desencontros, beijos, muitos beijos, loucura, solidão e a enorme falta de um carinho, de um simples toque.

 Bibiana Mota, a actriz que deu vida à “Ti Olga”, contou-me: “na peça eu tenho de estar descalça e o chão está muito frio. Houve uma senhora que tocou nos meus pés e chamou-me pobrezinha por estarem muito frios. Foi muito engraçado.” Foi engraçado e curioso, ou não fosse esta uma peça sobre o toque ou a falta dele.

Interpretação da peça “À Manhã” pela Filandorra

No final voltei a perguntar se gostaram da peça e da experiência de irem ao teatro. Desta vez as respostas não divergiram, todos responderam um alegre “sim”. O sorriso, por si só, denunciava o gosto por uma tarde diferente.

 A peça esteve em cena nos claustros até ao dia 31 do mês de Março, com uma sessão à tarde, reservada para a terceira idade, e uma outra à noite. Março, o mês do teatro, foi ainda celebrado pela Filandorra com 30 espectáculos que tiveram lugar em oito concelhos distintos do interior norte.

 Para serem realizados 30 espectáculos num só mês é preciso, de facto, muito trabalho. David Carvalho advertiu-nos que quando assim é, tem de contar com a versatilidade dos seus actores que, por vezes, “têm de decorar e trabalhar vários textos em simultâneo.” Diogo Medeiros, actor da companhia, corroborou a afirmação e acrescentou: “eu gosto imenso de trabalhar na Filandorra, não temos um alto salário mas o bom ambiente que se vive aqui supera isso. Tenho a oportunidade de visitar várias terras, entrar em contacto directo com as pessoas e trabalhar no que gosto – o que é muito bom.”

Desde 1987 que a Filandorra tem desempenhado um papel preponderante na descentralização do teatro. O corte orçamental de 38% não deixou cumprir à risca o que estava programado para este ano, mas as escolas, a rede de municípios que construiu e os trabalhos de animação que tem desenvolvido, resguardaram a companhia. É com agrado que Silvina Lopes me diz que as salas ficam cheias a cada espectáculo dado pela companhia: “o auditório que temos na nossa sede não tem ar condicionado, mas mesmo com o frio que se faz sentir as cadeiras nunca ficam vazias.” Com 25 anos de existência, a mais antiga companhia de teatro transmonta já realizou cerca de cinco mil espectáculos para um milhão de espectadores.

 A turma que foi dispensada da aula para ir ao teatro já saiu do auditório. Alguns gostaram, outros nem por isso. Alguns voltarão ao teatro, outros nem por isso. Alguns ainda vão com a cabeça no ar porque descobriram que as personagens das estórias podem ser reais, nem que seja por um bocadinho.

Frankie Chavez não é de “cenas”, ele é mais guitarras

Posted by mafaldinha2 on Maio 28, 2012
Posted in: Entrevista, Laboratório de Jornalismo. Deixe um comentário

No último sábado, no Teatro, Frankie Chavez tocou à maneira de Vila Real porque nunca se toca uma música da mesma forma. Em fila, à espera da sua vez, estavam as suas fiéis companheiras de palco: as guitarras de folk, a lap slide guitar, a resonator e a guitarra portuguesa. O músico provou ao público que também sabe improvisar e a audiência agradeceu ao marcar o ritmo de algumas músicas com palmas.

Se a musicalidade do artista consegue ser mais limpa e calma, não quer dizer que não haja espaço para sonoridades mais agressivas e contagiantes, tal como demonstrou em concerto. As Canções do EP homómino, Frankie Chavez, e do disco Family Tree, foram bem acolhidas pelo Pequeno Auditório do Teatro de Vila Real. Como não poderia deixar de ser, o cantautor prestou uma vez mais “tributo” a Robert Johnson, uma das suas influências musicais, com I Believe I’ll Dust My Broom. No final, deixou-se “de cenas” e em vez da habitual saída do palco para proceder ao encore, pegou na slide guitar e agraciou a plateia com Come Together, dos Beatles. O músico também não se esqueceu de apresentar aos transmontanos o seu novo tema, Sail Upon Your Shore, para a despedida.

O seu gosto pela música começou graças ao “som que saía da guitarra”, o que faz com que para além dos blues tenha experimentado o fado, influências do pai, e aprecie também flamenco. Se no EP de apresentação demonstrou uma sonoridade mais crua, no longa duração teve necessidade de incluir alguns elementos extra. Esta foi a primeira visita de Frankie Chavez a Vila Real e o músico disponibilizou-se para ceder a entrevista que se segue.

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Entrevista a Mário Pinto “a nossa actividade vai ser útil para que outras casas similares possam aparecer”

Posted by mafaldinha2 on Maio 13, 2012
Posted in: Entrevista, Laboratório de Jornalismo. Deixe um comentário

Mário Pinto é um dos membros da direcção do Club de Vila Real, uma das associações mais antigas do país fundada em 1894, e presidente da Comtacto, uma associação ambiental, cultural e recreativa fundada em 2002. Quando a Comtacto surgiu, segundo Mário Pinto, havia uma grande preocupação ambiental porque “nem sequer havia reciclagem em Vila Real”, mas como os subsídios tinham de ser “muito chorados” decidiu abrir o bar Undergreen para “suprir os custos da associação”. Esse foi o momento em que a Comtacto se direccionou mais para as actividades culturais. Mário Pinto é o elo de ligação entre o Club de Vila Real e o bar da Comtacto, o que faz com que haja em comum “uma preocupação social” demonstrada nas actividades desenvolvidas.

Ambas as associações promovem exposições, concertos ou actividades culturais que destacam quem tem algo a mostrar. O presidente da Comtacto explica que tal se deve aos escassos recursos financeiros que não permitem pagar o cachê às “ bandas de renome”, mas também porque “quem está no início não tem nenhum sítio onde expor, onde tocar, onde dinamizar.”

Para compreender todas estas questões falei com Mário Pinto. Na entrevista que se segue, o membro da direcção do Club de Vila Real e o presidente da Comtacto não deixa de repetir que a sua “actividade servirá de âncora para que outras casas similares possam aparecer”, e aproveita para falar da forma como o Teatro de Vila Real acabou por sorver todos os fundos destinados à cultura.

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Entrevista a Pedro Abrunhosa “Música e música são coisas diferentes”

Posted by mafaldinha2 on Maio 11, 2012
Posted in: Entrevista, Laboratório de Jornalismo. Deixe um comentário

“Sempre que um de nós consome e é subjugado pelas drogas perde-se um cidadão e ganha-se um doente. O consumo das drogas é a anulação do mais íntimo de nós”. Foi a mensagem deixada por Pedro Abrunhosa aos alunos da UTAD, na conferência sobre toxicodependência organizada pela Escola de Ciências da Vida e do Ambiente (ECVA), que ocorreu no dia 9 deste mês, na Aula Magna da universidade transmontana.

Mas o músico não se ficou por aqui, para tentar desmistificar a ideia de que as drogas fomentam a criatividade afirma que “ não sabemos o que Baudelaire, Rimbaud ou Apollinaire poderiam ter escrito se não estivessem sob o efeito daquelas substâncias”, acrescentando que alguns trabalhos artísticos que nasceram sob influência de estupefacientes “chegam mesmo a ser duvidosos”. Não deixa de focar o caso de Jim Morrisson, Janis Joplin e Jimi Hendrix, artistas marcados pelo estigma dos 27 anos, e faz a seguinte questão: “e o resto que ficou por fazer dessa idade em diante?”. Para contrapor dá o exemplo de grandes músicos que nada devem ao consumo de drogas e aponta o caso de Tom Waits, que ainda se mantém activo aos 62 anos, e Leonard Cohen, que lançou recentemente o álbum “Old Ideias”.

“Desprendam-se de uma vez por todas desse mito”, pede o músico, “ ou acham que Saramago escreveu o Memorial do Convento depois de fumar um grande porro?”. Nesta conferência, que contou também com a participação de Rui Rangel e Manuel Pinto Coelho, Pedro Abrunhosa defendeu a legalização das drogas como uma forma de acabar com o mercado negro. Segundo a opinião do músico português, o estado tem também responsabilidades nesta questão, uma vez que tem o dever de proteger os seus cidadãos.

A música sempre esteve associada a uma certa irracionalidade, a uma certa alienação, não foi por acaso que surgiram as e-drugs. É apontada como a mais dionisíaca das artes, tem uma enorme importância social e as pessoas nunca correram atrás de um pintor ou escritor, como conseguem correr atrás de um cantor. Tentei explorar a questão com Pedro Abrunhosa na entrevista que se segue. O artista lembra que “Música e música são coisas diferentes”, mas não deixa de ser a “suprema forma de celebração.”

Devido ao tempo que já começava a escassear, a entrevista foi cedida via e-mail. As respostas às questões número 4 e 5 não deixam de ser curiosas.

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UTAD celebra Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

Posted by mafaldinha2 on Maio 7, 2012
Posted in: notícias. Deixe um comentário

Jornalistas relembram condicionantes do seu trabalho

Jornalistas convidados

O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa foi celebrado, no dia 3 deste mês, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real. A celebração teve início às 10 horas, no auditório 1.10 do Complexo Pedagógico da universidade transmontana.

O evento contou com a participação dos jornalistas Miguel Costa, repórter de imagem da SIC, José Paulo Santos, da TVI, Luís Mendonça, da Universidade FM, Manuela Carneiro, jornalista da SIC, Paulo Vilela, da rádio M80, e ainda Rui Sá, da RTP. Os profissionais da área deram o seu testemunho sobre as condicionantes que enfrentam no seu dia-a-dia profissional e explicaram como a relação com as autarquias ou a linha editorial de um determinado jornal podem constituir barreiras à sua actividade, no entanto, a tónica da discussão acabou por se centrar na forma como a região de Trás-os-Montes é retratada pela imprensa nacional e como por vezes essa imagem acaba por delimitar o seu trabalho.

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