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Frankie Chavez não é de “cenas”, ele é mais guitarras

Publicado por mafaldinha2 em Maio 28, 2012
Publicado em: Entrevista, Laboratório de Jornalismo. Deixe um Comentário

No último sábado, no Teatro, Frankie Chavez tocou à maneira de Vila Real porque nunca se toca uma música da mesma forma. Em fila, à espera da sua vez, estavam as suas fiéis companheiras de palco: as guitarras de folk, a lap slide guitar, a resonator e a guitarra portuguesa. O músico provou ao público que também sabe improvisar e a audiência agradeceu ao marcar o ritmo de algumas músicas com palmas.

Se a musicalidade do artista consegue ser mais limpa e calma, não quer dizer que não haja espaço para sonoridades mais agressivas e contagiantes, tal como demonstrou em concerto. As Canções do EP homómino, Frankie Chavez, e do disco Family Tree, foram bem acolhidas pelo Pequeno Auditório do Teatro de Vila Real. Como não poderia deixar de ser, o cantautor prestou uma vez mais “tributo” a Robert Johnson, uma das suas influências musicais, com I Believe I’ll Dust My Broom. No final, deixou-se “de cenas” e em vez da habitual saída do palco para proceder ao encore, pegou na slide guitar e agraciou a plateia com Come Together, dos Beatles. O músico também não se esqueceu de apresentar aos transmontanos o seu novo tema, Sail Upon Your Shore, para a despedida.

O seu gosto pela música começou graças ao “som que saía da guitarra”, o que faz com que para além dos blues tenha experimentado o fado, influências do pai, e aprecie também flamenco. Se no EP de apresentação demonstrou uma sonoridade mais crua, no longa duração teve necessidade de incluir alguns elementos extra. Esta foi a primeira visita de Frankie Chavez a Vila Real e o músico disponibilizou-se para ceder a entrevista que se segue.

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Entrevista a Mário Pinto “a nossa actividade vai ser útil para que outras casas similares possam aparecer”

Publicado por mafaldinha2 em Maio 13, 2012
Publicado em: Entrevista, Laboratório de Jornalismo. Deixe um Comentário

Mário Pinto é um dos membros da direcção do Club de Vila Real, uma das associações mais antigas do país fundada em 1894, e presidente da Comtacto, uma associação ambiental, cultural e recreativa fundada em 2002. Quando a Comtacto surgiu, segundo Mário Pinto, havia uma grande preocupação ambiental porque “nem sequer havia reciclagem em Vila Real”, mas como os subsídios tinham de ser “muito chorados” decidiu abrir o bar Undergreen para “suprir os custos da associação”. Esse foi o momento em que a Comtacto se direccionou mais para as actividades culturais. Mário Pinto é o elo de ligação entre o Club de Vila Real e o bar da Comtacto, o que faz com que haja em comum “uma preocupação social” demonstrada nas actividades desenvolvidas.

Ambas as associações promovem exposições, concertos ou actividades culturais que destacam quem tem algo a mostrar. O presidente da Comtacto explica que tal se deve aos escassos recursos financeiros que não permitem pagar o cachê às “ bandas de renome”, mas também porque “quem está no início não tem nenhum sítio onde expor, onde tocar, onde dinamizar.”

Para compreender todas estas questões falei com Mário Pinto. Na entrevista que se segue, o membro da direcção do Club de Vila Real e o presidente da Comtacto não deixa de repetir que a sua “actividade servirá de âncora para que outras casas similares possam aparecer”, e aproveita para falar da forma como o Teatro de Vila Real acabou por sorver todos os fundos destinados à cultura.

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Entrevista a Pedro Abrunhosa “Música e música são coisas diferentes”

Publicado por mafaldinha2 em Maio 11, 2012
Publicado em: Entrevista, Laboratório de Jornalismo. Deixe um Comentário

“Sempre que um de nós consome e é subjugado pelas drogas perde-se um cidadão e ganha-se um doente. O consumo das drogas é a anulação do mais íntimo de nós”. Foi a mensagem deixada por Pedro Abrunhosa aos alunos da UTAD, na conferência sobre toxicodependência organizada pela Escola de Ciências da Vida e do Ambiente (ECVA), que ocorreu no dia 9 deste mês, na Aula Magna da universidade transmontana.

Mas o músico não se ficou por aqui, para tentar desmistificar a ideia de que as drogas fomentam a criatividade afirma que “ não sabemos o que Baudelaire, Rimbaud ou Apollinaire poderiam ter escrito se não estivessem sob o efeito daquelas substâncias”, acrescentando que alguns trabalhos artísticos que nasceram sob influência de estupefacientes “chegam mesmo a ser duvidosos”. Não deixa de focar o caso de Jim Morrisson, Janis Joplin e Jimi Hendrix, artistas marcados pelo estigma dos 27 anos, e faz a seguinte questão: “e o resto que ficou por fazer dessa idade em diante?”. Para contrapor dá o exemplo de grandes músicos que nada devem ao consumo de drogas e aponta o caso de Tom Waits, que ainda se mantém activo aos 62 anos, e Leonard Cohen, que lançou recentemente o álbum “Old Ideias”.

“Desprendam-se de uma vez por todas desse mito”, pede o músico, “ ou acham que Saramago escreveu o Memorial do Convento depois de fumar um grande porro?”. Nesta conferência, que contou também com a participação de Rui Rangel e Manuel Pinto Coelho, Pedro Abrunhosa defendeu a legalização das drogas como uma forma de acabar com o mercado negro. Segundo a opinião do músico português, o estado tem também responsabilidades nesta questão, uma vez que tem o dever de proteger os seus cidadãos.

A música sempre esteve associada a uma certa irracionalidade, a uma certa alienação, não foi por acaso que surgiram as e-drugs. É apontada como a mais dionisíaca das artes, tem uma enorme importância social e as pessoas nunca correram atrás de um pintor ou escritor, como conseguem correr atrás de um cantor. Tentei explorar a questão com Pedro Abrunhosa na entrevista que se segue. O artista lembra que “Música e música são coisas diferentes”, mas não deixa de ser a “suprema forma de celebração.”

Devido ao tempo que já começava a escassear, a entrevista foi cedida via e-mail. As respostas às questões número 4 e 5 não deixam de ser curiosas.

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UTAD celebra Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

Publicado por mafaldinha2 em Maio 7, 2012
Publicado em: notícias. Deixe um Comentário

Jornalistas relembram condicionantes do seu trabalho

Jornalistas convidados

O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa foi celebrado, no dia 3 deste mês, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real. A celebração teve início às 10 horas, no auditório 1.10 do Complexo Pedagógico da universidade transmontana.

O evento contou com a participação dos jornalistas Miguel Costa, repórter de imagem da SIC, José Paulo Santos, da TVI, Luís Mendonça, da Universidade FM, Manuela Carneiro, jornalista da SIC, Paulo Vilela, da rádio M80, e ainda Rui Sá, da RTP. Os profissionais da área deram o seu testemunho sobre as condicionantes que enfrentam no seu dia-a-dia profissional e explicaram como a relação com as autarquias ou a linha editorial de um determinado jornal podem constituir barreiras à sua actividade, no entanto, a tónica da discussão acabou por se centrar na forma como a região de Trás-os-Montes é retratada pela imprensa nacional e como por vezes essa imagem acaba por delimitar o seu trabalho.

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Richard Towers apresenta “livros-objecto” na UTAD

Publicado por mafaldinha2 em Maio 5, 2012
Publicado em: Laboratório de Jornalismo, notícias. 1 comentário

O escritor Richard Towers apresentou, no dia 2 deste mês, às 10h30, no complexo pedagógico da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), a sua obra literária aos alunos e docentes da universidade transmontana. O autor alia a literatura ao design e da comunhão destas duas formas artísticas nasce o “ livro-objecto”, que encerra em si uma utilidade prática para além da leitura. “Tempo”, o livro-relógio, “Reflexos”, o livro-espelho, e “Desafio”, o livro-xadrez, foram as obras que o escritor demonstrou na sua apresentação: enquanto o público lia alguns excertos, Richard Towers acompanhava-os com a sua guitarra.

Acerca da apresentação, Anabela Oliveira, professora do departamento de letras da UTAD, diz que a achou “muito intimista mas muito dinâmica. Ele falou da sua experiência e do seu trabalho com muita convicção e com grande sentido da realidade e da responsabilidade.”

Porquê conciliar o design com a literatura? Richard Towers explica que “se entrasse para o mercado de forma tradicional, da maneira como é complicado, não iria conseguir visibilidade, portanto decidi desenvolver uma nova abordagem. Desta forma sei que nas livrarias as pessoas param e olham para os meus livros”. Para a concepção visual das suas obras conta com a colaboração de um designer gráfico que lida com as definições técnicas, mas refere que “a ideia e a forma sou eu que as defino e imagino.”

Em relação às suas histórias o autor afirma que “partem sempre de uma busca interior, tentar perceber quem sou. Centro-me muito na nossa dimensão enquanto seres-humanos e na forma como nos relacionamos com os outros. O que nós representamos para os outros? Será que nós percebemos qual é a nossa dimensão e aquilo que nós somos?”

Livro “Desafio”

O início para este escritor não foi fácil. Segundo as suas palavras “tive de orçamentar tudo isto e perceber até que ponto este projecto era viável. Tem corrido bem, felizmente, mas tive de me fazer à estrada porque em casa, com os livros no mercado, à espera que aquilo resultasse, não funcionou. Estive dois meses em casa mas depois desse tempo comecei a fazer apresentações em escolas, bibliotecas e em universidades, por exemplo.”

Mas quem é Richard Towers? Este nome inglês é um pseudónimo criado por Martinho Fernando Alves Torres. O escritor licenciou-se em Português e Francês na UTAD, foi professor até ao ano de 2009 e já deixou, também, a sua marca no mundo da música com quatro discos gravados. Fundou a sua própria editora, a “Neoma Produções” e quer continuar a dedicar-se à escrita. Quando questionado acerca do pseudónimo, Martinho Torres explica que acaba por ser uma ironia, “porque achava que ninguém iria perceber que eu era português. Iria passar a ideia de que este era um bom projecto desenvolvido por um estrangeiro, e assim foi, porque se for às livrarias os livros estão expostos nas estantes reservadas à literatura traduzida. Tinha também o objectivo de provar que em Portugal desenvolvem-se conceitos novos e inovadores”.

A professora Anabela Oliveira adverte ainda que “esta junção que ele faz e este conceito de livro-objecto ou livro-arte pode ser uma boa alternativa aos kindles e aos e-readers. Motiva as pessoas para outras formas de ler e de criar em função da palavra. A palavra conduzirá ao objecto (recepção e produção de novos objectos) e vice-versa.”

Perguntas colocadas ao professor Marcelo Rebelo de Sousa

Publicado por mafaldinha2 em Abril 29, 2012
Publicado em: Entrevista, Laboratório de Jornalismo, UTAD. Deixe um Comentário

No âmbito da palestra que o professor Marcelo Rebelo de Sousa proferiu na UTAD, aqui ficam, na íntegra, as respostas às minhas perguntas.  A primeira e quarta coloquei-as enquanto membro do público, a segunda e a terceira enquanto o professor falava aos órgãos de comunicação social.

Porque estamos numa universidade, qual é a saída para os jovens que têm de abandonar o ensino superior porque não podem pagar as propinas?

Trata-se realmente de um problema grave porque com a crise houve uma redução do montante das bolsas e uma incapacidade dos agregados familiares para pagarem as propinas. Ainda ontem me perguntaram na Faculdade de Letras do Porto, onde estive noutra actividade, o que é que eu pensava da ideia das propinas serem mais elevadas para se poder constituir um fundo social para se pagar aos mais carenciados. Eu respondi que essa era uma terceira solução. A primeira solução é, apesar de tudo, haver um esforço feito pelo estado, sabendo-se que hoje não há dinheiro, mas a pensar especificamente no factor estratégico que é a formação superior em termos de competitividade e em termos da tal reforma estrutural. É uma questão estrutural financiar a elevada qualificação daqueles que depois vão intervir na economia da sociedade portuguesa. Uma segunda hipótese é diferenciar as propinas consoante a capacidade financeira do agregado familiar, como as taxas moderadoras. É verdade que já existe isso nos impostos, mas devia passar a haver também nas propinas, o que permitiria, naturalmente, nas famílias mais carenciadas, alargar as isenções ou diminuir drasticamente o montante a pagar. A terceira hipótese é esta, menos boa que as outras duas, muito menos boa: aumentar as propinas para todos para depois se tentar fazer a correcção, à posteriori, através de um financiamento parcial cedido aos que mais carecem. Mas este é um problema complicado porque há muitos estudantes que estão agora a deixar de estudar ou a suspender os seus estudos. Noutros tempos era dramático, definitivo, agora já não é assim, no entanto, como estamos em crise, pode converter-se, pelo menos, numa situação duradoura, porque quando as pessoas suspendem os estudos têm de ir trabalhar. Quando assim é podem perder a ligação à instituição e vão-se distanciando. Podem dizer que mais tarde voltam mas tudo tem o seu tempo na vida. Eu não estou a dizer que não haja quem faça formações académicas óptimas aos 40, 50 ou 60 anos, mas há um tempo próprio. A atenção, a disponibilidade, a capacidade de memória e a energia já não são equivalentes às de um jovem de 20 anos, principalmente em certas áreas de estudo. Esse é, portanto, um problema sério que tu apontaste.

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Marcelo Rebelo de Sousa em conferência na UTAD

Publicado por mafaldinha2 em Abril 28, 2012
Publicado em: Laboratório de Jornalismo, notícias, UTAD. Deixe um Comentário

“Admito que para muitos estudantes este seja um ano perdido, o que não é bom.”

O professor Marcelo Rebelo de Sousa compareceu ontem, sexta-feira, na Aula Magna da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real: local onde proferiu uma palestra multidisciplinar que teve início às 14h30 e durou até ao final da tarde.

Desde o estado do país até à agricultura, um interesse pessoal acalentado pelo professor, foram vários os assuntos abordados na tarde de ontem, mas a tónica da palestra centrou-se nos jovens e nas dificuldades sociais que se encontram a viver devido à crise actual. Para os alunos presentes deixa o aviso de que “vão viver a um ritmo muito mais acelerado e vão mudar de actividade muitas vezes ao longo da vida”, o que a seu ver “não é um drama” uma vez que vão ter a oportunidade de “criar empresas, destruir empresas, criar postos de trabalho e marcar presença em campos diversos”. Aproveita para acrescentar que actualmente “saber resolver problemas é crucial” mas há que conjugar “a cabecinha, o coração e a vontade”.

Quando questionado pelo público sobre o aumento do abandono escolar no ensino superior, o professor considera que este é um problema sério, principalmente quando os números são mais elevados do que o previsto. Avança, no entanto, com duas possíveis soluções: “a primeira solução é, apesar de tudo, haver um esforço feito pelo estado, sabendo-se que hoje não há dinheiro, mas a pensar especificamente no factor estratégico que é a formação superior em termos de competitividade e em termos da tal reforma estrutural. É uma questão estrutural financiar a elevada qualificação daqueles que depois vão intervir na economia da sociedade portuguesa. Uma segunda hipótese é diferenciar as propinas consoante a capacidade financeira do agregado familiar, como as taxas moderadoras.” Sobre a possibilidade de se aumentar as propinas para todos os alunos a fim de ser criado um fundo para os mais carenciados, Marcelo Rebelo de Sousa diz tratar-se de uma terceira hipótese, mas a pior de todas “porque há muitos estudantes que estão agora a deixar de estudar ou a suspender os seus estudos. Noutros tempos era dramático, definitivo, agora já não é assim, no entanto, como estamos em crise, pode converter-se, pelo menos, numa situação duradoura, porque quando as pessoas suspendem os estudos têm de ir trabalhar.” Completa dizendo que “quando assim é podem perder a ligação à instituição e vão-se distanciando. Podem dizer que mais tarde voltam mas tudo tem o seu tempo na vida.”

 À imprensa, depois da palestra, explicou que “como este foi um problema que surgiu de repente, com uma dimensão social mais grave, o Ministério da Educação está com dificuldades em lidar com a questão, no entanto, penso que se encontra a estudar a situação para averiguar se é tão grave como parece. Também acho que mesmo com pouco dinheiro o ministério está tentar por de pé um mecanismo para fazer face a esta realidade.” Acrescenta que “estas medidas demoram o seu tempo, como é lógico, e o ano lectivo está a chegar ao fim. Admito que para muitos estudantes este seja um ano perdido, o que não é bom.”

Ainda à comunicação social, que quis saber se o programa “Passaporte Jovem” não tenderá a prolongar a situação dos estágios e adiar desta forma o primeiro emprego dos recém-licenciados, Marcelo revela que o programa “tem todos estes riscos mas tem a vantagem de evitar a desocupação funcional de muitos jovens, um problema económico mas também social. Pode não abrir a porta para empregos definitivos, mas mantém durante o período mais agudo da crise um folego transitório, na expectativa de que em 2013, 2014 e 2015, a situação seja melhor.

O esquecimento de Trás-os-Montes face a Lisboa também foi um dos assuntos relembrados pelo público nesta palestra. Para o professor, natural de Braga, a solução passa pela criação “de lobbies políticos e comunicacionais junto da capital. A comunicação social tem aqui um papel preponderante”, explica.

A génese da crise europeia não foi deixada de fora desta palestra. Segundo o comentador da TVI “há uma crise de reconversão do capitalismo em curso que se tornou mais clara com a crise norte americana de 2007-08, mas não está concluída, está atamancada, disfarçada, porque os problemas são exactamente os mesmos que existiam ou voltaram a existir.”

Relembrando o especulador húngaro-americano George Soros, Marcelo refere que a Europa está a assistir ao “esgotamento do objecto fantástico tal como ele foi concebido. É preciso recriar esse objecto fantástico para o futuro com novas verbas. Porque é que se esgotou? Porque foram dados os paços todos até se chegar à moeda única.” Aproveita para acrescentar que “o passo para a moeda única foi dado sem haver união política, sem se prever a hipótese de haver crise em economias mais débeis por força dessa mesma moeda. Não havia nem fundos para isso, nem medidas para isso. Quando faliu a “Lehman Brothers” a Alemanha apelou aos países europeus para verem se isso não afectava os respectivos bancos, mas devia ser a Europa em conjunto a fazer esse mesmo aviso. Foi o primeiro grande erro.”

Ainda houve tempo para abordar a sua experiência enquanto comentador televisivo e confessa que “dá muito mais trabalho do que se pensa. A dose de improviso é muito rara mas por vezes é precisa”. Revela que é mais “complicado sintetizar os conteúdos do que propriamente a análise” e é uma tarefa ingrata escolher, por exemplo, cinco instituições das 200 que lhe aparecem todas as semanas. Em tom jocoso diz ainda que vive complexado por ter a maior parte da poesia portuguesa “à moda comigo”, porque dos 100 livros que lhe são enviados todas as semanas é-lhe impossível falar de todos.

O que mais concretiza Marcelo Rebelo de Sousa é ser pedagogo, a seu ver a sua maior vocação. A comunicação social foi apenas um meio para alargar o seu auditório e chegar a mais pessoas. Confessa que é um apaixonado pelos meios de informação e não se esquece de frisar que “estamos no século da comunicação”.

Fotorreportagem: Museu Mirandelense de Grafismos Urbanos

Publicado por mafaldinha2 em Abril 19, 2012
Publicado em: Sem categoria. Deixe um Comentário

Os museus têm que falar connosco e contar-nos algo, uma história. Ora a história não existe sem estórias, essas pequenas entrelinhas quase invisíveis que fazem toda a diferença. Mas as estórias não estão só nos livros e nem sempre acontecem com importantes protagonistas do passado – podem estar a acontecer agora, neste momento. O que é preciso para fazeres estória? Basta teres um corrector à mão e, à tua frente, uma parede das ruas da tua cidade. Desta forma o teu nome passa a fazer parte dos seus arquivos.

Vítor Nogueira “não foi muito difícil para nós apertar ainda mais o cinto.”

Publicado por mafaldinha2 em Abril 18, 2012
Publicado em: Entrevista, Laboratório de Jornalismo. Deixe um Comentário

Vítor Nogueira é o director da Biblioteca Municipal e do Teatro de Vila Real. Estamos em crise, sim, mas os dados indicam que estes dois equipamentos culturais, ao contrário do que seria esperado, estão a passar por um momento profícuo: basta olharmos para o documento “Equipamentos Culturais de Vila Real, estatísticas 2011″ e não esquecer que o teatro reuniu condições para assumir o aumento do IVA sobre o preço dos bilhetes, porque tal como o director afirma, “aumentar o IVA nos bens culturais, do ponto de vista da estratégia cultural não faz sentido.”

Qual então o segredo por trás deste sucesso? Porque é que  para Vítor Nogueira “não foi muito difícil (…) apertar ainda mais o cinto? Foi o que a autora deste blog quis descobrir através da entrevista que se segue.

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“Jornalismo cultural”, por Pedro Mexia

Publicado por mafaldinha2 em Abril 18, 2012
Publicado em: crónicas, jornalismo, Laboratório de Jornalismo. Deixe um Comentário

Na revista Ler do mês de Março, Pedro Mexia aborda o livro Jornalismo Cultural de Daniel Piza, jornalista e escritor brasileiro que faleceu recentemente. Porque esta é uma área que lamentavelmente carece de análise no nosso país aqui fica a crónica do crítico literário português.
A “ «esfera pública», e portanto também a esfera crítica, existe desde que existam jornais”, por isso é que os jornalistas culturais e os jornalistas em geral devem ter consciência da sua responsabilidade. Mas a frase que me chamou mais à atenção foi esta: “… o «entretenimento» não é tabu, e (…) o desafio é encontrar sempre uma abordagem especificamente cultural, ou seja, crítica, ou seja, jornalística.” Como é difícil, tão difícil, a imprensa portuguesa entender este simples facto.

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